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Blog Vencer a Doença de Crohn

Blog que acompanha a evolução da (minha) doença de Crohn, e que aborda temas/assuntos relativos à doença.

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Blog que acompanha a evolução da (minha) doença de Crohn, e que aborda temas/assuntos relativos à doença.

29
Mai09

27-05-2009 - Internamento

Voltei, um dia depois. As noticias são más, depois daquele episódio tive de ser internado. Vamos lá então explicar por partes:

 

Acordei na quarta feira ainda com aquelas dores no estômago e o mau estar com náuseas, mas já estavam a passar. E passada uma ou duas horas já me estava a sentir mais ou menos bem, foi aí que pus a escrita em dia e publiquei todas os posts no blog. Depois tive a triste ideia de beber chá! Estava já com muita sede, durante a noite suei um bocado e como tinha vomitado tudo no dia anterior estava há mais de 24h sem comer nem beber. Obviamente que não sabia que ia ficar pior depois do chá, mas também bebi pouco, a experiência dizia-me para não beber tudo de uma vez! Então lá bebi, e comecei daí a pouco a sentir de novo as mesmas náuseas. Perdi a vergonha e decidi telefonar ao médico, a minha renitência é devida a ser o telemovel pessoal e não gosto de chatear as pessoas, já era quase uma da tarde. O doutor disse que os sintomas eram maus, e que devia ir à consulta dele em Lisboa. Problema??? Estou em ÉVORA, e não há ninguém para me conduzir o carro, senti-me muito infeliz pelo facto da minha namorada não ter acabado de tirar a carta! Então tive de tomar uma decisão difícil, não tinha tempo para ir de autocarro para Lisboa e taxi nem me passou pela cabeça! (levei nas orelhas do meu pai lol). Escolhi ir de carro, pusemos tudo, malas etc. Está um calor infernal e não é por ir a 140Km/h que o sinto menos, tive de parar numa área de serviço para comprar uma garrafa de água. Estranhamente o meu corpo aceitou a água, já estava todo suado e a sentir formigueiro nas mãos.

 

Sou uma pessoa poupada e a nível de gasolina sou mais poupado ainda. Andar a 140 é impensável! Fui o caminho todo a pensar o que diria à policia se me mandassem parar por excesso de velocidade. Entre Coina e Palmela está tudo em obras, o limite é de 80Km/h, passei a 120! Sempre sem parar. Pelo caminho estava com as cólicas a aumentar, não sentia tanta má disposição mas as dores eram maiores. Quando chegámos à clínica parei o carro no primeiro lugar, já não via nada à frente, era um lugar com aparência precária, mas que se lixe, podem bloquear o carro à vontade. Andei até à clínica mas devagar, as dores e má disposição não me permitiam correrias!

 

Já era entretanto quase 4h! Fiz a viagem numa hora, record pessoal ;). E vamos lá esperar mais uma hora e meia na clínica até ser atendido. O doutor não ficou muito contente com o que viu! Mandou-me para o S. José com uma carta de recomendação para ser atendido mais depressa. Saí do consultório com uma só coisa em mente: Ponham-me a soro e com analgésicos! Parem-me com estas dores!

 

Parece que o Humira não trata obstruções! Quando saímos da clínica eu já não via mesmo nada à frente e não estava definitivamente em condições de conduzir, especialmente no para arranca de Lisboa com um transito infernal! Apanhámos um taxi e eu nem me lembrei que tinha de tirar o ultimo TAC do carro. Quando me lembrei já íamos a meio caminho, um transito do inferno e umas dores do outro mundo, É QUE NUNCA MAIS CHEGÁVAMOS! Pelo caminho a namorada foi telefonando ao pai, à mãe, à irmã. Os dois primeiros não estavam disponíveis, o pai  estava de viagem em Coimbra e a mãe devia estar a dar aulas, felizmente a minha irmã estava disponível e o recado ficou dado.

 

Entretanto chegámos ao Hospital de S. José. O atendimento inicial até foi rápido, mas depois ficamos imenso tempo à espera na sala de espera. Nunca mais me chamavam e eu com as dores horríveis estava-me a passar. A sorte é que a minha fabulosa namorada entrou em acção para me salvar desta situação. Há uma sala de triagem, e é nessa sala que chamam as pessoas, coisa que eu não sabia, nem estava em condições de saber... Lá fomos para a outra sala onde já me tinham chamado mas eu não estava! Demos a carta que o médico tinha passado e puseram-me uma etiqueta branca no braço. Estranhei um pouco porque essa cor não está na lista de espera, há as varias cores para as varias situações, umas graves outras não, quanto menos grave menos tempo se espera. Passados uns minutos fui chamado para o gabinete onde me analisaram com mais cuidado. Fiquei de tirar sangue e um Raio-X. Disseram-me que a ultima coisa que eu devia fazer era ingerir o que quer que fosse. Foi aí que fiquei a saber que não devia ter bebido nada que só piora a minha situação. Antes de fazer as análises ainda houve tempo para vomitar mais uma vez, sem qualquer ajuda. Saiu um vomito verde vivo, era até bonito, no meio de todas aquelas náuseas...

 

Tirei então o sangue e o Raio-X também. A senhora das análises não era muito simpática e pareceu até que escolheu de propósito uma veia daquelas em que dói tirar o sangue. Depois deram-me um pijama de hospital com chinelos, a namorada ficou com a minha roupa. Um enfermeiro simpático tratou da minha situação de ser transferido para os Capuchos, coisa que já era previsto acontecer desde o início, por indicação do meu médico.

 

Eu estava nas urgências, mas pareceu-me o sítio onde se tratam as questões com a menor pressa possível, eu estava em agonia com aquelas dores e deixaram-me ali num corredor à espera da ambulância que me levaria para os Capuchos. Pareceu uma eternidade, nunca mais me vinham buscar, nunca mais de davam algo para as dores!!! Não me lembro bem a que horas é que vieram buscar, já era tarde, puseram-me numa ambulância e lá fui transferido, felizmente os hospitais são muito perto um do outro e a viagem foi rápida.

 

Quando cheguei tive a honra de andar de cadeira de rodas lol. Levaram-me para a minha cama e a enfermeira apresentou-se e apresentou-me a enfermaria, onde fica a casa de banho, o refeitório, etc etc. Deram-me também um pijama mais confortável, sabe-se lá quantos milhares de pessoas já o usaram, mas que se lixe! Entretanto já toda a gente sabia o que se passava comigo incluindo os meus pais.

 

Chegou então a hora de me porem a soro. Era tudo o que eu queria ouvir e sentir. Um paracetamol depois e já eu estava fino!  Passaram aquelas náuseas horríveis! Fiquei logo menos rabugento! Depois não tenho a certeza se a médica falou comigo, mas tenho quase a certeza absoluta que não, tinha prescrito na ficha o paracetamol e mais não queria. Disseram-me que não podia comer ou beber mesmo nada mas o pior é mesmo a sede! Deram-me um copo de agua para molhar os lábios, mas acreditem que não há nada pior que ter cede e não a poder saciar!

 

Estar internado no Hospital é uma treta! Estou numa sala de 6 pessoas. São todos normais menos um, e tinha logo que ser o senhor que está exactamente ao meu lado! O senhor tem um sério caso de soluços, ele soluça de dia, de noite, sentado e deitado. Está sempre a soluçar. Não me ajudou nada à noite acordar com os soluços dele e depois nem conseguir adormecer por causa da cede, do barulho e do desconforto na barriga.

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