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Blog Vencer a Doença de Crohn

Blog que acompanha a evolução da (minha) doença de Crohn, e que aborda temas/assuntos relativos à doença.

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Blog que acompanha a evolução da (minha) doença de Crohn, e que aborda temas/assuntos relativos à doença.

26
Dez11

Desentendimentos da Doença de Crohn

Fazendo uma análise Introspectiva e Retrospectiva da minha vida consigo ver a quantidade de situações em que as minhas acções foram mal interpretadas por outras pessoas. É verdade que isso é em grande parte minha culpa, vendo bem as coisas embora até penso ter tenha um bom raciocínio lógico, a nível de relações com outras pessoas sou um autêntico azelha, e muitas vezes não consigo ver/interpretar aqueles pequenos sinais que as pessoas emitem.

 

Vou então contar uma dessas situações:

 

Já me ouviram dizer que tenho um pouco de tendências obsessivas compulsivas, dou comigo a ver várias páginas da internet vezes sem conta de seguida embora saiba que não há lá nada para ver, bom, quando saiu o Euro parte da minha obsessão virou-se para as notas, sempre gostei de notas e as do escudo eram muito bonitas. O que tem de engraçado nisto é que dava comigo a ver as transparências das notas (aquelas marcas de água) e fazia isso a toda a hora. O que eu nunca reparei é que fazia isso também quando as pessoas me davam notas, isto é, houve quem ficasse a pensar que eu suspeitava que me tivessem a dar notas falsas!! E não estou a falar de empregados de balcão, estou a falar de pessoas muito próximas!!! E o mais caricato é ter sido confrontado com isso e na altura fiquei completamente aos papeis porque não me lembrava de ter feito tal figura! :lol: , olhando para trás tem alguma piada e ao mesmo tempo não tem piada nenhuma, quantas outras situações não terei deixado passar sem me aperceber dos mal entendidos que estava a provocar?

 

Provavelmente estarão por esta altura a perguntar-se porque raio estou eu a fazer esta conversa quando não tem nada a ver com a Doença de Cohn. Mas eu passo a explicar:

 

Ainda hoje sinto que, e no dia de natal foi por demasiado obvia a situação, há pessoas muito próximas que não me conseguem compreender de todo, não vou dizer nomes porque lêem o blog (grande cobardolas que sou em vir mandar bocas para o blog e não em pessoa). Percebi que embora não sinta nenhum estigma contra a minha doença sofro das consequências dela e principalmente da negação de certas pessoas relativamente ao facto de que sou um doente crónico. É bom ser-se tratado como uma pessoa normal mas isso tem os seus limites, esses limites começam nas fronteiras da doença. Eu esforço-me muito por ser uma pessoa normal e por ter uma vida normal mas por mais esforço que faça a doença está presente!!!! O pior aqui é que já incorporei tanto a doença na minha vida que chegadas as situações não me apercebo que estou a atingir os limites do meu corpo.

 

O que quero dizer com isto é que percebi que há reacções minhas a ser muito mal interpretadas, quando chego ao ponto crítico de cansaço o meu cérebro deixa de funcionar correctamente e entro num modo automático, as pessoas falam comigo e eu não interpreto o que elas dizem, chego ao ridículo de no dia seguinte nem sequer me lembrar de ter tido essa conversa. A nível de escrita começo a comer palavras e a minha ligeira dislexia entra em modo hyper-drive. O cansaço torna-me numa pessoa irritadiça, mal disposta e muitas vezes num autentico parvalhão. Sim eu deixo de prestar atenção aos outros, ao que eles dizem e perco todo o bom humor ou qualquer humor que seja.

 

Este natal cheguei a um ponto em que estava a dormir em pé, principalmente porque não tive o descanso devido porque várias pessoas não me deixaram descansar, umas com mais "culpa" que outras. No final o que aconteceu é que houve quem se zangasse comigo por não lhes prestar atenção, e em parte isso era culpa dessa mesma pessoa! Fico um pouco triste por perceber que ela (pessoa) não me percebe e que não percebe que algumas situações são induzidas pelas suas acções. Pior, fico ainda mais chateado por não conseguir corresponder às expectativas de gente próxima embora esteja a dar o meu máximo, eu vejo a meta mas não consigo chegar lá, é muito frustrante! Pior ainda é a frustração por não conseguir cumprir as minhas próprias metas, às vezes o corpo não me deixa mesmo chegar lá e não sei bem o que é pior, falhar para com os outros ou falhar para comigo mesmo! 

 

Isto foi escrito no dia 25, mas não queria estragar o natal a ninguém , fica o desabafo! Espero que tenham comido tanta porcaria como eu e que não tenham tido dores nenhumas como eu 

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