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Blog Vencer a Doença de Crohn

Blog que acompanha a evolução da (minha) doença de Crohn, e que aborda temas/assuntos relativos à doença.

Blog Vencer a Doença de Crohn

Blog que acompanha a evolução da (minha) doença de Crohn, e que aborda temas/assuntos relativos à doença.

22
Out12

HC: Damaris

Nome:
Damaris
 
Idade actual:
25 anos
 
Em que idade é que apareceu a doença de Crohn (DC)?
14 anos
 
Como é que a doença se manifestou no início, tem familiares com DC?
Perda de peso, diarreia, dor abdominal, aftas na boca. Não tenho familiares com a doença.
 
Depois de lhe terem explicado que a doença era crónica, qual foi a sua reacção?
Fiquei assustada por não conhecer a doença, tentei buscar o máximo de informações sobre a DC. Mas sempre confiante que iria ficar bem.
 
Quais as restrições que a doença causa à sua vida? Que alterações teve no peso?
Actualmente nenhuma. No início cheguei a 23Kg....... Hoje estou com um peso bom 55Kg.
 
A alimentação tem influência no agravamento da doença? Se sim que conselhos pode dar.
A alimentação influência muito. Meu conselho é prestar bastante atenção no que comemos e se perceber algum alimento que faça mal, melhor evitar. É interessante fazer um diário alimentar.
 
Com que frequência tem as crises e quanto tempo duram?
A ultima foi em 2009, mas quando tinha durava quase 1 ano. 
 
Há forma de prever uma crise?
Quando eu começava a perder peso.
 
Que medicação é que já teve de tomar?
Sulfassalazina, Corticoide, Azatioprina, 6-Mercaptopurina, Infliximabe, Metotrexato.
 
Que efeitos secundários tiveram esses medicamentos (se tiveram), no seu corpo?
Sulfassalazina - Lesões na peleAzatioprina - Queda de cabelo e dor nas articulações.6-Mercaptopurina - intolerânciaCorticoide - Inchaço, espinhas, estrias, câimbras. Infliximabe - Lesões na pele.Metotrexato - Queda de cabelo e náuseas.
 
Actualmente, ainda precisa de controlar a doença com alguma medicação?
Infliximabe - de 6 em 6 semanas Metotrexato - Semanalmente
 
Surgiram outros problemas de saúde relacionados com a DC?
Não, só as reacções as medicações.
 
Já foi sujeito a alguma intervenção cirúrgica devido à DC? Se sim, que intervenção foi essa e durante quanto tempo esteve bem, depois teve de continuar a tomar medicação?
Não.
 
Há quem defenda que existe uma relação entre o estado psicológico do doente e a própria doença. Concorda? Até que ponto tem impacto na sua vida?
Acredito que quando estamos bem psicologicamente e emocionalmente fica mais fácil lidar com a doença.Quando eu ficava muito triste ou stressada as dores abdominais aumentavam.
 
E a família e os amigos, apoiaram-no? Considera esse apoio fundamental?
Sempre me apoiaram. Diante de uma doença difícil de enfrentar e que pode haver tantas complicações, acredito que o apoio da família e amigos seja fundamental.
 
Sentiu algum preconceito das pessoas relativamente à doença?
Sim, por causa do baixo peso.
 
Se tem que viajar como faz?
Evitava viagens longas ou fazia varias paradas durante a viagem, e evitava alimentos que pudessem me fazer mal.
 
 
Por fim, que mensagem deixaria a todos aqueles que têm DC e que, ora por inexperiência a lidar com a doença, ora por falta de força, vacilam?
Em primeiro lugar ter muita fé em DEUS, pois ELE nos da força para lutarmos a cada dia.Se informar - buscar o máximo de informações sobre a doença, e sempre que tiver alguma duvida perguntar ao médico.

 

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20
Out12

HC: Regiane

Nome:
Regiane
 
Idade actual:
22 anos
 
Em que idade é que apareceu a doença de Crohn (DC)?
14 anos
 
Como é que a doença se manifestou no início, tem familiares com DC?
No início tive diarreia, perda de peso, vomito e fistulas, na minha família não tem ninguém com a doença.
 
Depois de lhe terem explicado que a doença era crónica, qual foi a sua reacção?
Na verdade só entendi mesmo aos dezesseis anos que seria para sempre, bem para mim hoje é algo normal. Faz parte do meu dia dia acho que é mais difícil para quem esta próximo de mim quando não sabem lidar com alguma coisa da minha doença
 
Quais as restrições que a doença causa à sua vida?
Desde de pequena sempre viajei muito, passei a me preocupar se o local para onde vou tem banheiro, fora isso não deixa a doença tomar conta da minha vida.
 
Que alterações teve no peso?
Quando pequena eu era gordinha, agora meu peso costuma variar de 47 a 53 kg
 
A alimentação tem influência no agravamento da doença? Se sim que conselhos pode dar?
Sim depois que descobri a doença tive que ter mais cautela quanto ao que comer, também passei a comer de três em três horas, não como frituras, leite, carne de porco e verdura, bem claro que gosto de pizza , lasanha e churrasco mas procuro ter cautela meu lema é pode se comer de tudo mas não todos os dias se não é diarreia na certa.
 
 
Com que frequência tem as crises e quanto tempo duram? Há forma de prever uma crise?
Não tinha uma crise desde os dezoito anos tive uma em março desse ano, como saber minha crise vem seguida de um longo período de stress, normalmente duram dois ou três meses.
 
Que medicação é que já teve de tomar? Que efeitos secundários tiveram esses medicamentos (se tiveram), no seu corpo? Actualmente, ainda precisa de controlar a doença com alguma medicação?
Pentasa mensalasina, corticóide,ranitidina, actualmente não tomo nenhum medicamento.O corticóide inchou como sempre me inchou muito, pesei sessenta quilos.
 
Surgiram outros problemas de saúde relacionados com a DC?
Eu tive infecção na vista e ulceras na pele.
 
Já foi sujeito a alguma intervenção cirúrgica devido à DC? Se sim, que intervenção foi essa e durante quanto tempo esteve bem, depois teve de continuar a tomar medicação?
Só tive que operar fistulas depois disso continuei tomando medicamento por quatro anos.
 
Há quem defenda que existe uma relação entre o estado psicológico do doente e a própria doença. Concorda? Até que ponto tem impacto na sua vida?
Concordo, bem eu tive uma infância conturbada e descobri a doença no inicio da adolescência quando todo e qualquer problema fica a flor da pele então acredito que a doença tenha sido a minha válvula de escape, e hoje sempre tenho que tomar cuidado para não deixar as pressões do dia a dia me levar a uma crise pois quanto mais nervosa eu fico mais perto de uma crise eu chego.
 
E a família e os amigos, apoiaram-no? Considera esse apoio fundamental?
A principio foi muito difícil eu tinha quatorze anos e estava sozinha, mas com o tempo descobri uma família maravilhosa, acredito que minha doença salvou minha família e com relação aos amigos descobri os verdadeiros no meio de cada crise.
 
 
Sentiu algum preconceito das pessoas relativamente à doença?
Infelizmente sim algumas vezes, mas nem todas pessoas são iguais e quando passam a entender a doença o clima melhora, eu cheguei a sofrer preconceito na minha própria casa meus irmãos achavam que eu esta mentindo ou simplesmente com preguiça de fazer alguma coisa.
 
Se tem que viajar como faz?
Faço as malas, olha de verdade eu tenho vinte e dois anos uma vida maravilhosa e aprendi que a prisão é a mente do homem, então todo lugar tem um banheiro e se não tiver sei lá vamos improvisar o importante é viver.
 
Por fim, que mensagem deixaria a todos aqueles que têm DC e que, ora por inexperiência a lidar com a doença, ora por falta de força, vacilam?
Não deixe que o amanhã seja sua causa de anseio e que o ontem te impeça de viver, o agora é o mais importante, então não vire prisioneiro do medo a vida é maravilhosa e toda dor acaba..... a Doença de Crohn não vai te impedir de viver e ser feliz se você não desistir da vida.

 

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18
Out12

HC: Pedro Câmara

Nome:
Pedro Câmara
 
Idade actual:
38 anos
 
Em que idade é que apareceu a doença de Crohn (DC)?
A doença teve o seu primeiro episódio em 1998, portanto tinha 24 anos.
 
Como é que a doença se manifestou no início, tem familiares com DC?
A doença manifestou-­‐se com febre, diarreias e emagrecimento acentuado. Não tenho familiares com DC.
 
Depois de lhe terem explicado que a doença era crónica, qual foi a sua reacção?
Quando soube que era crónico, naturalmente reagi com alguma revolta.
 
Quais as restrições que a doença causa à sua vida?
As restrições são poucas, contudo tenho atenção à medicação e à comida que exacerbe o intestino e que é alguma.
 
Que alterações teve no peso?
As alterações ao peso verificaram‐se quando tive as crises (três) que emagreci consideravelmente.
 
A alimentação tem influência no agravamento da doença? Se sim que conselhos pode dar.
Relativamente à alimentação, como de tudo.
 
Com que frequência tem as crises e quanto tempo duram? Há forma de prever uma crise?Que medicação é que já teve de tomar? Que efeitos secundários tiveram esses medicamentos (se tiveram), no seu corpo? Actualmente, ainda precisa de controlar a doença com alguma medicação?
Tomo Sulofalk 3x dia e Budosan 3 mg 1x dia. Tomo-­‐os há 7 anos diariamente. Noto que me apareceu borbulhas nas nádegas e costas (parte mais abaixo).
 
 
Já foi sujeito a alguma intervenção cirúrgica devido à DC? Se sim, que intervenção foi essa e durante quanto tempo esteve bem, depois teve de continuar a tomar medicação?
Felizmente, até hoje não senti outros problemas derivado a ter DC.
 
Há quem defenda que existe uma relação entre o estado psicológico do doente e a própria doença. Concorda? Até que ponto tem impacto na sua vida?
Para mim, e por experiência própria, sinto que o equilíbrio emocional é fundamental para a DC não manifestar-­‐se, portanto evite-­‐se situações de desequilíbrio.
 
E a família e os amigos, apoiaram-no? Considera esse apoio fundamental?
Sim, a família é fundamental para qualquer doença e ainda mais para quem doença crónica, e naturalmente os amigos.
 
Se tem que viajar como faz?
Para viajar, a medicação é fundamental e dependentemente de cada caso, é entregar-­‐se na “mão” de Deus.
 
Por fim, que mensagem deixaria a todos aqueles que têm DC e que, ora por inexperiência a lidar com a doença, ora por falta de força, vacilam?
Que mensagem poderei deixar???!!! Acreditar que o dia seguinte será melhor, ter fé e confiança, espírito positivo. No meu caso e como o Stress é o pior inimigo do Crohn, tentemos viver a vida equilibrada, sem grandes rotinas e se possível fora das grandes cidades. As pequenas localidades são mais equilibradas e com rotinas saudáveis. Para quem desespera na crise, tente lembrar-­‐se que há quem sofre no silêncio e sem liberdade para decidir o que fazer.
 
Bem hajam e muita força, Amigos Crohnistas

 

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13
Out12

HC: Élia Moura

Nome:
Élia Moura
 
Idade actual:
35
 
Em que idade é que apareceu a doença de Crohn (DC)?
25
 
Como é que a doença se manifestou no início, tem familiares com DC?
A doença apareceu quando foi diagnosticado cancro à minha mãe, e os sintomas eram de uma gastroentrite. Muitas dores de barriga, inchada e diarreias. Tenho só o meu pai com colite ulcerosa.
 
Depois de lhe terem explicado que a doença era crónica, qual foi a sua reacção?
Por uma lado fiquei aliviada por não ser algo mais grave. Não reagi mal.
 
Quais as restrições que a doença causa à sua vida?
Nos momentos de crise não me sinto bem sair de casa por causa das idas à WC, e não me apetecer convier com ninguem. Quando estou bem ou medicada não há restrinções.
 
Que alterações teve no peso?
Emagreco quando tenho crises e engordo mt quando tomo cortisona...
 
Que medicação é que já teve de tomar? Que efeitos secundários tiveram esses medicamentos (se tiveram), no seu corpo? Actualmente, ainda precisa de controlar a doença com alguma medicação?
A alimentação sem dúvida que tem influência, não como carne de porco, tenho optado por comer mais peixe, legumes, mas a mim os brócolos e ervilhas não me fazem muito bem. Todos os anos tenho tido crises, mas ultimamente não consigo prever. Desde 2007 ano em que nasceu a minha filha as minhas crises têm sido bem mais brandas.Ja tomei cortisona - faz inchar, engordar e perder muito cálcio, imuran - reduz as defesas e aquando da vacina do tétano aparece-me um ganglio debaixo do braço e já lá vai um ano e não desaparece, dizem-me que foi do imuran, salofalk grânulos, omeprazol - para ajudar a proteger o estômago, entre outros que de momento. Já tomei mais alguns que não me recordo. De momento não estou a tomar nada desde Maio...
 
 
Surgiram outros problemas de saúde relacionados com a DC?
Problemas no estômago, princípios de osteoperose, dores nas articulações, câimbras.
 
Já foi sujeito a alguma intervenção cirúrgica devido à DC? Se sim, que intervenção foi essa e durante quanto tempo esteve bem, depois teve de continuar a tomar medicação?
Nunca.
 
Há quem defenda que existe uma relação entre o estado psicológico do doente e a própria doença. Concorda? Até que ponto tem impacto na sua vida?
Concordo. Não costumo revelar a muita gente que tenho uma doença crónica
 
E a família e os amigos, apoiaram-no? Considera esse apoio fundamental?
Tive o apoio de todos, e foi muito importante.
 
Sentiu algum preconceito das pessoas relativamente à doença?
Algum, uma vez disse a alguém que tinha de ir ao IPO fazer uns exames e olharam-me de lado como se tivesse algo contagioso
 
Se tem que viajar como faz?
Quando não tou em crise, vou na boa mas tenho cuidado com a alimentação e água.
 
Por fim, que mensagem deixaria a todos aqueles que têm DC e que, ora por inexperiência a lidar com a doença, ora por falta de força, vacilam?
Todos temos momentos, ou fases boas e outras menos boas e por vezes é difícil ultrapassar uma daquelas crises que nos deita abaixo, mas temos de tentar ter sempre pensamento positivo e que há sempre pessoas com doenças muito piores que as nossas. Não devemos ter vergonha de sermos doentes crónicos.

 

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11
Out12

HC: Cheila Nunes

Nome:
Cheila Nunes
 
Idade actual:
22 anos
 
Em que idade é que apareceu a doença de Crohn (DC)?
17 anos
 
Como é que a doença se manifestou no início, tem familiares com DC?
Tinha muitas cólicas e febres inexplicáveis, não tenho familiares com DC.
 
Depois de lhe terem explicado que a doença era crónica, qual foi a sua reacção?
Tinha uma amiga com DC quando a doença apareceu não foi uma novidade.
 
Quais as restrições que a doença causa à sua vida?
Muitas e todas, neste momento a restrição que custa mais é o facto de para já não poder ter um filho.
 
Que alterações teve no peso?
Durante a operação (aos 17 anos) emagreci 6 kg durante alguns anos mantive o peso e no ultimo ano emagreci 10 kg...
 
A alimentação tem influência no agravamento da doença? Se sim que conselhos pode dar.
Sim, a minha alimentação agrava a minha doença e como cada pessoa deve fazer uma "dieta" de acordo com o seu estado aconselho a escreverem o que comem ajudou-me bastante a perceber o que me fazia mal e o que não fazia.
 
Com que frequência tem as crises e quanto tempo duram? Há forma de prever uma crise?
Sou muito inconstante, mas tenho em média crises de 2 em 2 meses e duram entre 1 e 2 semanas. Não tenho como prever uma crise no entanto quando me sinto ansiosa já sei que uma crise me espera.
 
 
Que medicação é que já teve de tomar? Que efeitos secundários tiveram esses medicamentos (se tiveram), no seu corpo? Actualmente, ainda precisa de controlar a doença com alguma medicação?
Já tomei bastante medicação, pentasa por exemplo, não tiveram efeitos secundários no meu corpo nem quaisquer efeitos por isso actualmente sou medicada com humira.
 
Surgiram outros problemas de saúde relacionados com a DC?
Sim tenho Espondilite Anquilosante associada à DC.
 
Já foi sujeito a alguma intervenção cirúrgica devido à DC? Se sim, que intervenção foi essa e durante quanto tempo esteve bem, depois teve de continuar a tomar medicação?
Fui operada quando me diagnosticaram a DC, os médicos não percebiam o que se passava a única hipótese foi operar.
 
Há quem defenda que existe uma relação entre o estado psicológico do doente e a própria doença. Concorda? Até que ponto tem impacto na sua vida?
Concordo plenamente, infelizmente o estado psicológico altera significativamente o meu estado. Por exemplo em epocas festivas como o Natal, os meus anos, na altura que casei, tive e tenho crises, por andar mais anciosa nessas epocas.
 
E a família e os amigos, apoiaram-no? Considera esse apoio fundamental?
Sim sem duvida tenho sempre a minha família e os meus amigos ao meu lado, acho esse apoio fundamental para a minha recuperação e a minha estabilidade.
 
Sentiu algum preconceito das pessoas relativamente à doença?
Não, porque só sabem da doença pessoas próximas de mim, é obvio que as pessoas ao meu redor percebem que tenho algum problema mas se não me perguntarem não faço muita questão de contar.
 
Se tem que viajar como faz?
Quando viajo tenho que ter cuidado, viajo no intervalo das injecções, e tento ficar alojada onde tenha cozinha para poder cozinhar .
 
Por fim, que mensagem deixaria a todos aqueles que têm DC e que, ora por inexperiência a lidar com a doença, ora por falta de força, vacilam?
Acho que está dentro de nós a vontade de viver de lutar de acreditar e de vencer, temos um problema... Sim até vários problemas todos têm problemas... porquê nós? Porque não, somos fortes aguentamos tudo...
 

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Mais uma vez agradeço a possibilidade de participar encontrando-me sempre disponível para ajudar autorizando desde já que forneça o meu email para quem procurar ajuda...

 

cheilanunes@hotmail.com

 

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09
Out12

HC: Maria Margarida

Nome:
Maria Margarida
 
Idade actual:
43
 
Em que idade é que apareceu a doença de Crohn (DC)?
Dezasseis anos (?); fui apenas diagnosticada aos vinte e cinco.
 
Como é que a doença se manifestou no início, tem familiares com DC?
Não tenho familiares com a doença; os primeiros sintomas foram cólicas nocturnas que terminavam depois de vomitar. Os sintomas continuam a ser os mesmos (acrescidos entretanto da diarreia).
 
Depois de lhe terem explicado que a doença era crónica, qual foi a sua reacção?
Não fiquei muito contente, naturalmente; mas só muito mais tarde me apercebi das dimensões reais da doença.
 
Quais as restrições que a doença causa à sua vida?
Restrições sobretudo alimentares, mas também outras de ordem prática (onde vamos? há uma casa de banho por perto?).
 
Que alterações teve no peso?
Fui ao longo dos anos perdendo peso, mas sempre fui bastante magra.
 
A alimentação tem influência no agravamento da doença? Se sim que conselhos pode dar.
A alimentação tem MUITA influência, pelo menos no meu caso. Acho que neste caso o conselho é bastante óbvio: portarmo-nos bem.
 
Com que frequência tem as crises e quanto tempo duram? Há forma de prever uma crise?
Já não tenho crises há algum tempo; quando as tenho costumam durar a noite toda. Não posso prevê-las: se pudesse...
 
Que medicação é que já teve de tomar? Que efeitos secundários tiveram esses medicamentos (se tiveram), no seu corpo? Actualmente, ainda precisa de controlar a doença com alguma medicação?
Desde que fui diagnosticada, tomo sempre a mesma medicação: Pentasa 500, Imuran 50, vitamina B, ácido fólico; durante as crises, lepicortinolo. Não sinto grandes efeitos secundários; mas como ando nisto há quase vinte anos, admito que qualquer dia o fígado, ou os rins, ou qualquer outra coisa comece a dar sinais.
 
Surgiram outros problemas de saúde relacionados com a DC?
Osteoporose, trombose venosa profunda.
 
Já foi sujeito a alguma intervenção cirúrgica devido à DC? Se sim, que intervenção foi essa e durante quanto tempo esteve bem, depois teve de continuar a tomar medicação?
Fui operada ao intestino delgado em 1997 e, recentemente, a uma fístula anal. Ambas correram bem, mas a medicação continua a ser a mesma.
 
 
Há quem defenda que existe uma relação entre o estado psicológico do doente e a própria doença. Concorda? Até que ponto tem impacto na sua vida?
Concordo completamente. A única razão por que a doença ainda me chateia é o facto de ainda não ter descoberto o botão que desliga o cérebro.
 
E a família e os amigos, apoiaram-no? Considera esse apoio fundamental?
Tive sempre apoio da família, dos amigos e até no trabalho (este último é coisa rara). É uma ajuda tão preciosa como um imunossupressor.
 
Sentiu algum preconceito das pessoas relativamente à doença?
Ainda não.
 
Se tem que viajar como faz?
Confesso que já não me lembro como se faz quando não se tem a doença.
 
Por fim, que mensagem deixaria a todos aqueles que têm DC e que, ora por inexperiência a lidar com a doença, ora por falta de força, vacilam?
Portarmo-nos bem. A inexperiência resolve-se com o tempo; quanto à força, os touros pegam-se pelos cornos (bem sei que é fácil falar e não é assim que eu penso em alturas de crise, mas isso não quer dizer que eu esteja errada).

 

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06
Out12

HC: António Henriques

Nome:
António José Rosário Henriques
 
Idade actual:
53
 
Em que idade é que apareceu a doença de Crohn (DC)?49Como é que a doença se manifestou no início, tem familiares com DC?
A doença manifestou-se no meu caso com muita diarreia. Não tenho familiares com DC
 
Depois de lhe terem explicado que a doença era crónica, qual foi a sua reacção?
Como andei um ano sem saber o que tinha, quando soube fiquei a pensar que tinha que viver com a doença.
 
Quais as restrições que a doença causa à sua vida?
Poucas
 
Que alterações teve no peso?
Ao principio perdi muito peso mas depois fui recuperando
 
A alimentação tem influência no agravamento da doença? Se sim que conselhos pode dar.
Sim a alimentação tem muita influência no agravamento da doença. Nada de fritos e de gorduras.
 
Com que frequência tem as crises e quanto tempo duram? Há forma de prever uma crise?
Antes de ser operado tinha bastantes crises, quase não podia comer, porque a seguir vinham as dores.
 
Que medicação é que já teve de tomar? Que efeitos secundários tiveram esses medicamentos (se tiveram), no seu corpo? Actualmente, ainda precisa de controlar a doença com alguma medicação?
Antes da operação tomei corticoides que me faziam inchar. Actualmente estou a tomar “Imuran”.
 
Surgiram outros problemas de saúde relacionados com a DC?NãoJá foi sujeito a alguma intervenção cirúrgica devido à DC? Se sim, que intervenção foi essa e durante quanto tempo esteve bem, depois teve de continuar a tomar medicação?
Já fui operado três vezes. À primeira não correu nada bem e passados quatro dias fui operado novamente. Fizeram uma Ileostomia e andei com o saco 7 meses, passado esse tempo fizeram a reconstrução e por agora continuo bem felizmente (tomo o Imuran).
 
Há quem defenda que existe uma relação entre o estado psicológico do doente e a própria doença. Concorda? Até que ponto tem impacto na sua vida?
Penso que sim.
 
E a família e os amigos, apoiaram-no? Considera esse apoio fundamental?
Claro o apoio da família e dos amigos é fundamental.
 
Sentiu algum preconceito das pessoas relativamente à doença?Não
Se tem que viajar como faz?
Redobro os cuidados com a alimentação
 
Por fim, que mensagem deixaria a todos aqueles que têm DC e que, ora por inexperiência a lidar com a doença, ora por falta de força, vacilam?
Que oiçam sempre e cumpra com aquilo que os médicos lhes dizem, oiçam os amigos com DC e lembrem-se que há pessoas na vida com doenças bem piores.

 

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03
Out12

HC: Priscila Rodrigues

Nome:
Priscila Rodrigues
 
Idade actual:
29
 
Em que idade é que apareceu a doença de Crohn (DC)?
22 anos.
 
Como é que a doença se manifestou no início, tem familiares com DC?
Após a minha gestação, ninguém na família possui esta doença.
 
Depois de lhe terem explicado que a doença era crónica, qual foi a sua reacção?
Chorar muito e não querer aceitar.
 
Quais as restrições que a doença causa à sua vida?
Restrições alimentares
 
Que alterações teve no peso?
Perdi 23 quilos.
 
A alimentação tem influência no agravamento da doença? Se sim que conselhos pode dar.
Sim, muito, principalmente carne vermelha, molhos, tomates, leites e derivados do leite.
 
Com que frequência tem as crises e quanto tempo duram? Há forma de prever uma crise?
Hoje tenho crises com cerca de 5 meses mais ou menos, para prevenir, tenho que cuidar ao máximo da alimentação.
 
Que medicação é que já teve de tomar? Que efeitos secundários tiveram esses medicamentos (se tiveram), no seu corpo? Actualmente, ainda precisa de controlar a doença com alguma medicação?
Tomei sulfazalazina, mezalazina, e hoje tomo azatioprina, reacções apenas náuseas e muita dor no corpo.
 
Surgiram outros problemas de saúde relacionados com a DC?
Até o presente momento não.
 
Já foi sujeito a alguma intervenção cirúrgica devido à DC? Se sim, que intervenção foi essa e durante quanto tempo esteve bem, depois teve de continuar a tomar medicação?
Sim, 3 vezes, por causar fístulas, fissuras e abcessos anais e perianais.
 
Há quem defenda que existe uma relação entre o estado psicológico do doente e a própria doença. Concorda? Até que ponto tem impacto na sua vida?
Sim, concordo plenamente, todas as vezes que fico nervosa ou ansiosa, fico muito mal, se fico tranquila, me sinto muito bem.
 
E a família e os amigos, apoiaram-no? Considera esse apoio fundamental?
Todos me apoiaram, foram meu braço direito, o apoio familiar é fundamental.
 
 
Sentiu algum preconceito das pessoas relativamente à doença?
Sim, muitas pessoas, sem saber sobre a mesma, nos julgam.
 
Se tem que viajar como faz?
Hoje vou numa boa, sem grandes problemas, mais já tive épocas de sair e cada horinha procurar banheiro.
 
Por fim, que mensagem deixaria a todos aqueles que têm DC e que, ora por inexperiência a lidar com a doença, ora por falta de força, vacilam?
Força, Fé e coragem é o que precisamos para enfrentar esta doença, temos que seguir a risca as prescrições médicas e quanto mais tranquilos ficarmos, menos ela se manifesta, seguindo desta forma, levaremos uma vida muito próxima da normalidade.Abraços.

 

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30
Set12

HC: Roberto Domanico Filho

Nome:
Roberto Domanico Filho
 
Idade actual:
60 anos
 
Em que idade é que apareceu a doença de Crohn (DC)?
38 anos em 1990 (diagnosticada aos 53 após intervenção cirúrgica em 2005).
 
Como é que a doença se manifestou no início, tem familiares com DC?
Com diarreias, incómodos, diagnosticados inicialmente como "colite nervosa". Vieram depois abcessos e isso durou até uma intervenção de urgência. Não tenho familiares com DC.
 
Depois de lhe terem explicado que a doença era crónica, qual foi a sua reacção?
De muito medo e tristeza.
 
Quais as restrições que a doença causa à sua vida?
Limitação dos alimentos que posso consumir, necessidade de tomar medicação até o resto de minha vida, incómodos e apreensão causados pelas recaídas, precauções para poder viajar ou estar em lugares onde possa necessitar ir ao banheiro.
 
Que alterações teve no peso?
Quando ignorava o problema tive perda expressiva de peso (já era magro antes do problema). Depois da operação (em 2005) mantenho o peso de 55-60 quilos, que pode diminuir um pouco nas recaídas.
 
A alimentação tem influência no agravamento da doença? Se sim que conselhos pode dar.
Sem dúvida! Se como doces em excesso, refrigerantes ou alimento que tenha algum condimento (ou leite e derivados) mais forte embutido, lá vem o problema em forma de diarreia. Tenho que controlar a alimentação com muito cuidado, se bem que acostumei-me com isso com o decorrer do tempo. Seria aconselhável buscar uma alimentação natural (frutas, vegetais, remédios fitoterápicos [com orientação do médico]).
 
Com que frequência tem as crises e quanto tempo duram? Há forma de prever uma crise?
Actualmente as crises estão bem espaçadas, já faz quase dois anos que tive a última. Normalmente ocorriam a cada 8 ou 10 meses. Como prevenção, observo sempre a frequência de evacuações, peso, e faço exames preventivos de sangue (a cada três meses) e colonoscopia (uma vez por ano).
 
 
Que medicação é que já teve de tomar? Que efeitos secundários tiveram esses medicamentos (se tiveram), no seu corpo? Actualmente, ainda precisa de controlar a doença com alguma medicação?
No início era a Sulfalazina, depois a Mesalazina. Em uma das crises tomei Predzone (corticóide) que me causou uma uveíte na vista esquerda (já controlada) e inchaço e vermelhidão na face.
 
Surgiram outros problemas de saúde relacionados com a DC?
Uveíte, causa pelo medicamento e abcessos além de algumas erupções na pele.
 
Já foi sujeito a alguma intervenção cirúrgica devido à DC? Se sim, que intervenção foi essa e durante quanto tempo esteve bem, depois teve de continuar a tomar medicação?
Sim, em 2005 quando tive uma crise (não sabia que tinha doença de Crohn). Tive parte do intestino removida e fiquei duas semanas no hospital. A partir daí comecei a tomar a medicação.
 
Há quem defenda que existe uma relação entre o estado psicológico do doente e a própria doença. Concorda? Até que ponto tem impacto na sua vida?
Concordo. Sou ansioso por natureza e tenho tendência à depressão.Possivelmente isto pode ter contribuído para o surgimento da doença e pode ter influência nas recaídas. O impacto em minha vida foi que tive que reformular todos meus hábitos alimentares e procurar uma maior serenidade emocional e espiritual.
 
E a família e os amigos, apoiaram-no? Considera esse apoio fundamental?
Sem dúvida, é de fundamental importância o apoio da família e amigos. Minha mulher me apoia emocionalmente além de preparar sempre os alimentos adequados para mim. Sem ela seria impossível manter uma dieta adequada. Além disso, falando por mim, o fato de seguir uma religião (sou espírita) tem me auxiliado imensamente a suportar e enfrentar o problema com coragem e serenidade.
 
Sentiu algum preconceito das pessoas relativamente à doença?
Em relação a mim, nunca! Até agora só recebi apoio e compreensão por parte de patrões, familiares e amigos.
 
 
Se tem que viajar como faz?
Previno-me levando os medicamentos necessários e procuro ficar em lugares onde tenha as instalações sanitária adequadas para minha higiene.
 
Por fim, que mensagem deixaria a todos aqueles que têm DC e que, ora por inexperiência a lidar com a doença, ora por falta de força, vacilam?
Muita perseverança, fé e serenidade, considerando que o equilíbrio daqueles que sofrem com DC depende muito do controle de seu estado emocional. Buscar sempre o equilíbrio das emoções e procurar sempre melhorar a qualidade de vida.

 

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28
Set12

HC: Zoraida

Nome:
Zoraida.
 
Idade actual:
35
 
Em que idade é que apareceu a doença de Crohn (DC)?
Foi‐me diagnosticado Colite Ulcerosa (UC) aos 29 anos.
 
Como é que a doença se manifestou no início, tem familiares com DC?
Os primeiros sintomas foram cólicas e diarreia, das quais não dei muita importância porque na altura trabalhava mais de 12h por dia e comia muito mal (pequeno-­‐almoço às 7h, almoçava sandes à mesa de trabalho, jantava depois das 22h). Depois começaram os vómitos e a perda de apetite. O diagnóstico da doença foi relativamente rápido, cerca de 4 meses, o mais difícil foi ultrapassar o diagnóstico inicial. O facto de não conhecer ninguém com a doença e nunca ter ouvido falar dela fez com que desse mais importância a uns sintomas do que a outros, pelo que sendo rapariga e queixar-­‐me de vómitos e falta de apetite levou a que a todos os médicos desconfiassem de bulimia. Até que um dos médicos da urgência me reconheceu (por lá ter ido mais do que uma vez) e decidiu analisar os outros sintomas, assim fui internada e alguns dias depois veio o diagnóstico.
 
Depois de lhe terem explicado que a doença era crónica, qual foi a sua reacção?
Passe por várias fazes (como todos nós): no início sentia‐me perdida porque não compreendia muito bem o que era nem as consequências, depois comecei a pesquisar na Internet e entrei em pânico. Mas depois de conversar com vários médicos e ter encontrado um novo especialista, comecei a compreender melhor a doença e que eu podia ajudar a controlá-­la, e isso permitiu‐me viver com uma nova atitude.
 
Quais as restrições que a doença causa à sua vida?
Algumas, essencialmente na vida social. Deixei de ir a restaurantes pelo stress que me causa ter que encontrar algo para comer que não seja um bitoque. Depois de um dia de trabalho tenho necessidade de ir para casa descansar. Mas há formas de ultrapassar, geralmente se tenho planos, opto por jantar em casa e vou lá ter mais tarde. Em termos de trabalho, necessitei de encontrar estratégias para ultrapassar os dias menos bons, mas ajuda bastante o facto de todos os meus colegas saberem o que tenho e já saberem interpretar alguns sintomas.
 
Que alterações teve no peso?
Não consigo engordar, não passo dos 48 kg. Excepto quando tenho uma crise, sendo a perda de peso um dos sintomas que a crise é mais aguda que o normal.
 
A alimentação tem influência no agravamento da doença? Se sim que conselhos pode dar.
Eu sou muito influenciada pela alimentação, pelo que tenho muito cuidado com o que como. Os conselhos que posso dar são aqueles que me foram ensinados pelo meu médico:
 
  • Aprender a distinguir entre alimentos que somos intolerantes e alimentos que devemos evitar em momentos de crise. Fazer o que se faz com os bebés, experimenta-­se um alimento de cada vez e se correr mal volta‐se a experimentar alguns meses depois.
  • Sempre que comemos algo novo temos que estar alertas aos efeitos que ele causa nas próximas horas. Perceber como o organismo reage a este alimento.
  • Antes de comer algo novo, pensar: “o quê que esta comida pode provocar numa pessoas sem DC/CU?”. Existem alimentos que, pela sua natureza, afectam qualquer pessoa.
  • Não fazer dietas de exclusão, é importante ter uma alimentação saudável e equilibrada, fornecendo todos os nutrientes e vitaminas que o corpo precisa de modo a evitar outros problemas de saúde (osteoporose, anemia).

 

Com que frequência tem as crises e quanto tempo duram? Há forma de prever uma crise?
Costumo tê­‐las quando não tenho uma alimentação adequada ou quando deixo de tomar a medicação. Mas essencialmente quando ando mais stressada ou ansiosa.Para prevenir crises, ajuda ter uma rotina diária: horas certas para comer, horas de descanso, fazer exercício, tomar a medicação. Se fujo da rotina durante alguns dias, então começo a ter sintomas.
 
Que medicação é que já teve de tomar? Que efeitos secundários tiveram esses medicamentos (se tiveram), no seu corpo? Actualmente, ainda precisa de controlar a doença com alguma medicação?
Já experimentei vários medicamentos porque infelizmente o meu organismo habitua-­‐se muito rapidamente a eles. Em relação aos efeitos secundários, os corticosteróides fazem-­‐me inchar e dificultam o raciocínio e a memória.Actualmente, tomo Salazapirina em grânulos 3x ao dia e faço Infliximab a cada seis semanas. Durante o último ano o meu organismo criou alergia ao Infliximab mas que se resolve tomando um injecção de glicocorticóides antes da toma.
 
Surgiram outros problemas de saúde relacionados com a DC?
Desenvolvi Artrite Reumatóide, pelo que todos os medicamentos que tomo têm que ser utilizados para tratar ambas as doenças.
 
Já foi sujeito a alguma intervenção cirúrgica devido à DC? Se sim, que intervenção foi essa e durante quanto tempo esteve bem, depois teve de continuar a tomar medicação?
Não, nunca foi necessário.
 
Há quem defenda que existe uma relação entre o estado psicológico do doente e a própria doença. Concorda? Até que ponto tem impacto na sua vida?
Concordo plenamente, uma vez que o sistema nervoso influencia o estado da doença. Se estou deprimida, ansiosa ou nervosa, sei que passados dois ou três dias irei ter uma crise. Quando estou feliz e bem-­‐disposta, quase não tenho sintomas e até consigo comer alimentos que normalmente me fariam mal. Há uns anos atrás estive internada em situação crítica, e toda a equipa do hospital referiu que o que me ajudou a recuperar tão rapidamente foi estar sempre bem-­‐disposta e a sorrir. Apesar de ser a que estava em pior estado, era eu que encorajava os restantes doentes. O meu mantra é: “Eu controlo a minha doença, ela não me controla”.
 
E a família e os amigos, apoiaram-no? Considera esse apoio fundamental?
Esta é uma doença que afecta todas as pessoas à nossa volta. Descobri que manter as pessoas que nos são próximas na ignorância ou afastadas apenas piora a situação. Quando as crises se agravam, as pessoas são apanhadas desprevenidas e não sabem como reagir. O seu desespero e preocupação são passados para mim, e agora além de me preocupar comigo também tenho que me preocupar em acalmar os outros, e isso apenas aumenta o stress o que faz a crise agravar-­‐se, provocando um efeito “bola de neve”.A minha família, os meus amigos mais próximos e os meus colegas de trabalho sabem as consequências da doença e já sabem reconhecer alguns sinais. Em termos de alimentação é como ter vários “cães de guarda”. No trabalho, ajudam-­‐me e facilitam-­‐me a vida quando não estou bem.Acima de tudo, ajuda saber que tantas pessoas se preocupam
 
Sentiu algum preconceito das pessoas relativamente à doença?
Gosto de pensar que não.
 
Se tem que viajar como faz?
Procuro não viajar muito porque sou muito afectada pela alimentação. Mas quando viajo levo o meu kit de viagem (o meu médico fez-­‐me uma lista de medicamentos a levar). Também pesquiso bastante sobre a alimentação, escolho restaurantes, supermercados e bombas de serviço que posso frequentar. Se tenho que andar de avião escolho um lugar próximo da casa de banho (a pressão atmosférica afecta o funcionamento dos intestinos).
 
Por fim, que mensagem deixaria a todos aqueles que têm DC e que, ora por inexperiência a lidar com a doença, ora por falta de força, vacilam?
Ambas as doenças (DC ou CU) são influenciadas tanto por factores internos como por factores externos, todos têm o seu papel e nenhum consegue trabalhar sozinho. A alimentação e a medicação são apenas uma parte do tratamento; a componente psicológica e emocional é também fundamental para manter a doença controlada. Estas doenças são pessoais, cada um de nós necessita de descobri r o que o seu organismo necessita, a medicação certa, a dieta certa. E tem que se trabalhar o lado emocional, mantendo o espirito positivo, nós não somos uns coitadinhos, somos pessoas normais que têm uma doença crónica. Para mim ajuda falar sobre o assunto, conversar com outros doentes, médicos, amigos e se necessário procurar ajuda profissional (psicólogo ou outro). O importante é perceber que não estamos sozinhos e que o silêncio não nos ajuda.

 

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